
São três verbos valiosos nessa vida acelerada e cheia de inseguranças e, que nos esquecemos facilmente, muitas vezes passamos dias, semanas e até meses no modo automático, respiramos automaticamente, alimentamo-nos em minutos, caminhamos nas ruas sem olhar para os lados...aliás, você olhou para o céu hoje enquanto caminhava? Para as árvores?
Calma, não se culpe...eu também não o fiz e provavelmente um boa parcela das pessoas que nos cercam também não...
Aproximamo-nos de mais um final de ano, faltam pouco mais de três meses e, você, assim como eu, deve estar fazendo aquele exercício exaustivo de olhar o meses que já se foram para tentar identificar o que você construiu, o que foi proveitoso e mirando o futuro com certo cansaço e até mesmo desânimo.
Hoje me peguei fazendo este exercício enquanto aguardava em um banco o horário do ônibus...dia ensolarado, olhei para o céu e vi um azul lindo, vasculhei na memória a última vez que o tinha feito e, surpreendemente, não me lembrava...acho que passei alguns dias olhando apenas para o chão, livros e para o celular...
Logo a frente do ponto tinha uma árvore enorme, esplendorosa e percebi que nunca tinha me dado conta de que ela estava ali, que era tão linda...mesmo pegando ônibus há mais ou menos 8 meses no mesmo lugar...
Fiquei surpresa! Em choque na verdade...
É assustador como passamos dias sem olhar para os lados, sem apreciar o que está ao nosso redor, passamos diversas vezes pelo mesmo lugar e não conhecemos de fato a paisagem, não admiramos o que está ao nosso redor...nessa cidade cinza há sim muitas cores, muitas vidas e valem a nossa atenção.

Mais assustador ainda, é não prestarmos atenção no que estamos comendo, almoçamos com o celular na mão...levamos de 5 a 15 minutos para comer...consumimos sem sequer sentirmos o sabor do prato, seja ele elaborado, um cachorro-quente ou uma fruta fresca.
Estudamos e trabalhamos muito.. abdicamos muitas vezes da convivência mínima com nossos pais, esposos ou esposas e de nossos filhos, postergamos os bons momentos e descontamos toda a nossa frustração neles...sem pensarmos que amanhã pode ser tarde...
Temos aquela sensação de invencíveis, de inatingíveis...nunca colocamos o pé no freio, pelo menos não até acontecer alguma coisa, até um obstáculo se colocar a frente e nos tirar da rota...
Temos uma vida, que independente do que você acredita, seja em Deus, Alá, Buda ou em ninguém, não deixa de ser um dom...uma dádiva a ser desfrutada... Estamos condicionados em um mundo que apenas nos suga literalmente.
Vi que diante de todo meu esforço durante esse ano...construi poucas coisas que me dão orgulho, na maior parte do tempo me vi sugada nessa rotina maluca...não houve um dia nessa semana que não tive dores de cabeça, até hoje...naquele ponto de ônibus...respirei, expirei e vi que era necessário desacelerar.
Você deve estar se perguntando porque estou te contando isso e, se efetivamente valeu a pena ler este texto até aqui...
Bom, caro amigo (espero que sejamos amigos, pois se há algo nessa vida que aprendi é que amigos nunca são demais e, eu quero ouvir o que você tem a dizer também...) se você está fadigado, cansado e até mesmo desanimado ou desesperado...apenas respire, sinta o ar entrando pelo seu nariz, encha seus pulmões...curta essa sensação.
Expire, solte o ar pela boca, sinta-o deixando seu corpo e, simplesmente, desacelere...curta cada momento e não perca mais tempo... aproveite cada momento da sua vida!


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